sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Minha Estória no Radioamadorismo

   Vou tentar sintetizar em poucas linhas a minha estória pelo mundo do radioamadorismo. Tudo começou lá em Vila Isabel (bairro boêmio do Rio de Janeiro) quando eu tinha 16 anos e um antigo vizinho que eu não encontrava a muito tempo, começou a trabalhar perto da minha casa. Naquela época ele tinha em seu carro um rádio PX “Somercamp” com banda lateral. 


   Como nos encontrávamos com freqüência e como eu sempre tive curiosidade sobre o “radinho”,  comecei a perguntar como aquilo funcionava. Comecei então a aprender como falar, os códigos e gírias, como instalar e calibrar antenas, e tudo mais. FUI CONTAMINADO PELO VÍRUS DO PX, e meu "padrinho" Élcio (Estação Bronco) me batizou como "Estação Popeye". A coceira começou, eu não tinha um rádio, foi então que comecei a trabalhar na mesma empresa deste colega, e comprei das mãos dele meu primeiro rádio e antena, era um “Motoradio FA-M21”, 
 um rádio de 23 canais AM aberto para 39 canais, e uma antena plano terra “pé-de-galinha”. Como naquele tempo a grana era curta e eu não tinha para comprar uma fonte, comprei uma bateria de carro usada e montei um pequeno carregador para ela. Estava montada minha primeira estação. Poucos meses depois, um colega de rádio que estava desmontando sua estação no “QTH batente”, pediu que eu retirasse a antena do telhado da sua loja (naquele tempo eu era peso pena), e deu a mesma para mim, era uma “Hi Gain”, antena vertical de 5/8 de onda, tipo a PT-5 da Electril, tenho esta antena instalada até hoje (o material daquele tempo era muito melhor que hoje).
   Como nunca gostei de ficar na ilegalidade, tratei de tirar minha licença, e por ser menor de idade, meu pai teve que assinar a autorização. Naquele tempo, viajávamos muito nos finais de semana para acampar, e sempre aquele comboio, cada qual com seu rádio no “pé-de-borracha”, e conversando durante a viajem toda (só os passageiros, pois já naquele tempo tínhamos consciência de que o motorista não devia falar e dirigir). Fiz muitos DX com meu radinho “michuruca”, quando a propagação permitia, e colecionei muitos diplomas.
   Anos depois entrei para a Marinha e fui obrigado a deixar meu hobbye de lado. Foi neste período da minha vida que conheci o encantador mundo da radioescuta, como não tinha como modular, apenas escutava (usando rádios de ondas curtas, passei a escutar as rádios do mundo todo quando não estava de serviço) e fui contaminado novamente, a ponto de ser convidado pela Rádio Netherland para ser monitor de sua transmissão no Brasil.
   Só fui voltar a modular tempos depois quando fui promovido a sargento e o tempo de folga aumentou. Comprei então um “Cobra 19 Plus”, 
 radio de 40 canais AM com display digital (o que era um luxo naquela época), mas com ótimo áudio. Com este rádio consegui ser um dos 20 primeiros a serem contestados pelo operador da sala rádio durante o conteste comemorativo aos 25 anos da ECT (ganhei até uma medalha pela participação), fiz muitos amigos na faixa, e nos encontrávamos pessoalmente (pelo menos uma vez por mês) para um chopinho, para conversar e trocar experiências.
   Como meu rádio só tinha 40 canais, e como sempre houve muito “balaio” nesta faixa, muitas vezes a turma subia mais um pouco e eu não podia acompanhar. Decidi então vender meu 19 Plus e comprar um 148 GTL 
 (meu primeiro rádio com banda lateral). Não fiquei muito tempo com ele, estava saindo do forno e começava a chegar ao Brasil os “Ranger”, e por coincidência, um colega comprou um RCI-2950, 
 radio com frequêncímetro que vai de 26 até 32 Mhz, mas não gostou e estava vendendo. Peguei o rádio emprestado durante um fim de semana, e fiquei apaixonado por ele. Vendi meu Cobra 148 GTL para comprar o Ranger RCI-2950 (tenho este até hoje, e não me arrependo da troca).
   Também nesta época, alguns colegas estavam migrando para o VHF (mais uma vez pelo tumulto que sempre aconteceu no PX), e como sempre acontece, eles tentavam com que todos nós também migrássemos com eles. Comprei então meu primeiro VHF, um “Kenwood TH-78”, 
um HT dual band com recepção de aviação e celular, e uma antena (Brasília VU, tenho esta antena até hoje) vertical dual da Electril. O rádio era muito bom mais tinha o problema que tem todo HT, a falta de potência. Então troquei o mesmo por um “Icom IC-281H”, um semi-dual (transmite em VHF e tem recepção de UHF).
    Mais uma vez tive que me afastar do radio, mas desta vez por ter me mudado para locais onde não podia instalar minhas antenas. Até que a alguns anos me mudei para uma ampla casa em uma cidade do interior onde pude novamente montar minha estação da melhor maneira possível.
   Hoje ainda tenho meu Ranger RCI-2950, mas além de usá-lo como PX, também faço uso de um transverter de 40 e 80 metros ligado nele já que o display com frequêncímetro facilita muito o uso do transverter. 

 O Icom IC-281H também continua instalado em minha estação, mas agora acompanhado de um Yaesu FT-1802 (VHF de 136 a 174Mhz) 

e dos Ht’s Icom IC-V8 (VHF) e Yaesu VX-3R (ht dual band com recepção de 1.8 a 999Mhz em AM/FM/ondas curtas).

   Quanto a radioescuta? Continuo sempre ligado, só que hoje conto com um Radioshack Pro-95 (Scanner muntibanda), um Philco Transglobe (adaptado com um oscilador de batimento para escuta das faixas de amador), além do já descrito Yaesu VX-3R, que apesar de pequeno é muito sensível quando conectado a uma antena externa. 


   Falando em antenas, meu telhado hoje parece um paliteiro com tanta coisa espetada. Continuo com a HiGain para os 11 metros, tenho uma J e uma direcional de 3 elementos para os dois VHFs, uma dipolo V invertido para os 40 e 80 metros (além da radioescuta), uma vertipolo de ¼ de onda para o scanner, e para os HTs, a minha antiga Brasília VU para o VX-3R e uma cúbica de 2 quadros para o IC-V68, quando estão ligados na edícula fazendo minha segunda base.
   Rádio para PX hoje, tenho somente um HT de 40 canais AM da Voyager, mas estou pretendendo até o final deste ano, comprar um Hannover BR9000, exclusivamente para os 11 metros e para voltar a fazer meus DX na faixa. Sou cria dos 11 metros e não me envergonho disso, como muitos “radioamadores”. Apesar da faixa ser muito bagunçada, encontramos ainda muita gente boa para um QSO.
   Ah! Acabei esquecendo de falar nos rádios virtuais, também opero usando o CQ100, o Hamsphere, o TalkForce e o eQSO, mas isso é uma outra estória...
 Espero que eu tenha satisfeito a curiosidade de vocês quanto a minha formação no rádio e que a minha estória sirva para “contaminar” muitos que estajam lendo e não sejam ligados ao rádio para que adentrem a este maravilhoso mundo das radiocomunicações.
  

Segurança Elétrica da Estação

   A maioria de nós radioamadores nos preocupamos em adquirir o que existe de mais moderno em equipamentos e nos esquecemos de pequenos cuidados que devemos ter com a instalação elétrica que alimenta estes equipamentos, na maioria das vezes de custo elevado.
   O cuidado mais básico que devemos ter com relação a instalação elétrica em nossa estação, é a instalação de uma chave geral. Ela deve ser instalada em local visível e de fácil acesso, para que possa ser rapidamente acionada em caso de emergência. Você deve informar sua localização a todos os membros de sua família, para que qualquer um possa desligá-la em caso de necessidade ou esquecimento.
   Não é usual que nós radioamadores brasileiros consultemos algum tipo de handbook, antes de nos aventurarmos a fazer algum tipo de instalação em nossas estações, até pela falta deste tipo de literatura em nossa língua (o único título em português é o “Handbook do Radioamador, de Iwan T. Halasz), que nos força a procurar soluções (nem sempre testadas e aprovadas) na Internet, ou então tentar handbooks (em inglês).
   Depois de pesquisa muito, tentarei trazer até vocês pequenos cuidados que devemos ter com a instalação elétrica de nossa estação.
   Outro cuidado simples que devemos ter, é o aterramento do fio neutro da instalação elétrica de nossa residência.
   Na maioria das cidades brasileiras as residências são servidas por uma rede elétrica bifásica (2x115 volts), onde se utiliza as duas fases em aparelhos de consumo elevado (230 volts), e, ao mesmo tempo, uma fase e o neutro, para iluminação (115 volts). Como o fio neutro serve como referência para as duas fases, se ocorrer um acidente na rua e o fio neutro se romper, as fases poderão ter seu potencial alterado e acarretar a queima dos equipamentos ligados a ela. Por esse motivo, contrariando o que é dito pela maioria, o radioamador deve fazer questão de aterrar o fio neutro da rede elétrica, com um fio grosso. Para isso, basta bater no chão, barras de aterramento de aço cobreado (encontradas em qualquer casa de material elétrico) em local com solo de boa condutividade.
   Agora você irá me perguntar como se sabe se o aterramento esta bom. Simples, pegue uma lâmpada de 115Vx100W e ligue entre uma fase e a terra a ser testada. Se o aterramento estiver bom, a lâmpada irá se acender com o brilho normal, como se estivesse em qualquer ponto de iluminação da casa.
   Conseguindo uma terra que apresente a mesma luminosidade da lâmpada, e ligando esta ao fio neutro, a casa funcionará da mesma forma, e sem perigo, com ou sem o fio neutro da rua.
   Para radioamadores que moram em apartamentos, especialmente em andares superiores, e que não é permitido conduzir fios por fora do prédio, já é mais complicado. Nesse caso, cabe ao condomínio providenciar uma terra de baixa resistência para proteger os aparelhos dos moradores.
   Outra coisa que devemos ter em mente, é a proteção da estação contra raios. A proteção mais eficaz contra raios, é acostumar-se a ligar os cabos de antena aos equipamentos, as chaves de alimentação elétricas e demais conexões, somente quando o radioamador estiver operando a estação. Radioamadores mais cuidadosos até aterram as antenas quando estão fora de uso.
   Infelizmente em alguns casos como em repetidoras, não podemos desconectar as antenas em caso de tempestade. Por esse motivo, a proteção deve estar embutida sempre na estação. Existem antenas que por suas características, são mais seguras do que outras, e portanto, mais recomendáveis. Estas antenas têm o elemento irradiante aterrado nas baixas freqüências. Como exemplo destas antenas podemos citar a “Ringo”, e as colineares verticais com elementos em “J”. Nessas antenas, a descarga elétrica encontra caminho mais fácil para à terra através da própria antena.  
   Para aumentar a segurança dos equipamentos, pode ser ligada a linha de transmissão, um centelhador à gás, como o MFJ-270.


   A grande maioria das descargas que entram na estação do radioamador vêm, de raios que atingiram a rede de distribuição de energia elétrica. Os equipamentos transistorizados, que são alimentados por baterias flutuantes conjugadas com carregadores, são mais protegidas do que as que usam meramente fontes, desde que o pólo negativo da bateria esteja bem aterrado. Todavia, mesmo utilizando baterias, temos outros meios de proteção que podemos utilizar: Fusíveis tipo cartucho (infelizmente o disjuntor eletromagnético têm inércia grande demais para responder aos surtos rápidos) podem ser utilizados nos condutores não-aterrados da rede elétrica (nunca instale fusíveis no neutro da rede elétrica), além do aterramento do neutro como mencionado anteriormente.
   Há, porém, um meio para o radioamador proteger tanto sua estação, como também toda sua residência, contra pulsos na rede elétrica, que são de intensidade menor, porém muito mais freqüentes que a incidência direta de raios.
   O DPS (dispositivo de proteção contra surtos elétricos) ou para raios eletrônico como também é conhecido, é um dispositivo dotado internamente de um varistor, e que deve ser instalado logo na entrada da energia elétrica (preferencialmente junto ao medidor), inserido entre cada fase e uma boa terra, ou ao próprio neutro da rede. Caso ocorra um pulso de tensão na rede elétrica, o DPS irá desviá-lo para a terra (o que fará com que os disjuntores e fusíveis sejam acionados), protegendo nossa residência e todos os aparelhos ligados na rede elétrica.
   Cada vez que se ouve sobre os danos causados, em residências de radioamadores ou não, por descargas que penetram em equipamentos de todos os tipos, o radioamador deve se lembrar da tranqüilidade proporcionada pela proteção preventiva.
   Vamos falar agora da maior destruidora de equipamentos na estação de radioamador, a Fonte de Alimentação.
   A grande maioria dos equipamentos de radioamador hoje em dia é de estado sólido. E exceto os transceptores multímodo destinados exclusivamente para utilização na estação base, com fonte embutida, todos os outros equipamentos necessitam de fonte de alimentação externa entre 12 e 16 volts.
   Como na maioria das vezes, o radioamador adquire para sua estação base um transceptor portátil, mesmo que não pretenda utilizá-lo para fins móveis ou portáteis, devemos ter um cuidado maior com a fonte de alimentação.
   Os transceptores móveis ou portáteis não são projetados para suportar tensões superiores a 16 volts. Porém, por incrível que pareça, a maioria das fontes de alimentação reguladas produzidas, não tem proteção nenhuma contra excesso de tensão na saída. Elas tem proteção contra curto, como fusíveis na entrada do transformador e na saída da fonte, mas, via de regra, não tem proteção contra sobre-tensão, o que é muito mais perigoso para o transceptor do que um curto, para o qual ele já tem proteção embutida. Se houver um curto-circuito em qualquer um dos transistores de passagem do regulador, ou no comando desses transistores, e a tensão de saída da fonte será a mesma da entrada do regulador, ou seja, entre 20 e 30 volts. O suficiente para danificar o transceptor ligado a esta fonte. Para evitar este risco, alguns fabricantes sobredimensionam estes componentes, reduzindo o risco de falha. Mesmo assim para evitar qualquer problema que possa ocorrer, devemos instalar uma proteção que em caso de excesso de tensão, provoque um curto-circuito na saída da fonte, provocando a queima do fusível, ou acionamento do fold-back , que levará a corrente na saída a zero.
   Nos dias de hoje, devido a facilidade da construção e o baixo custo, virou moda adaptar as fontes de computador para serem usadas em transceptores. Eu mesmo já modifiquei uma para meu uso, mas aposentei a mesma por não achar confiável. E justamente por elas não terem sido projetadas com o objetivo de alimentar transceptores, é que a tornam muito mais perigosas do que a maioria das fontes reguladas. Se não acredita em mim, tente a sorte...
   Se sua fonte não tem proteção contra sobre-tensão, monte e instale o circuito abaixo e fique protegido.


   Outro risco que corremos na ligação de nossos transceptores, é a inversão de polaridade. Basta uma pequena distração ou falta de atenção, basta uma única vez para causar grandes danos ao equipamento. Com vistas a esse risco, numerosos equipamentos já saem de fábrica com proteção contra inversão de polaridade, porém, para os que não possuem essa proteção, podemos utilizar os circuitos abaixo:

  
   Para os equipamentos de consumo elevado, o circuito abaixo é a solução. O diodo deve ser dimensionado para suportar uma corrente superior à do fusível que ele tem a função de queimar.

  
   Caso você tenha assim como eu, vários equipamentos sendo operados ao mesmo tempo, ou tem uma fonte para cada equipamento (todas com o negativo interligado para menter o mesmo potencial), o que ocupa muito espaço na estação, ou você tem uma fonte monstro (para 50A ou mais) que além de caríssima também ocupa muito espaço. Resolvi o problema com uma solução simples, a estação é toda alimentada por uma bateria de 65Ah em um sistema de no-break, utilizando uma fonte regulada de 12A como carregador, conforme o circuito abaixo.

   
   Em condições normais o equipamento é alimentado pela fonte, que ao mesmo tempo carrega a bateria através do resistor que limita a corrente de carga em 4A. Caso a fonte se desligue ou o equipamento precise de mais corrente, a bateria fornece o que for necessário.
   Aproveitando que precisaria de uma caixa para instalar o circuito, incrementei uma caixa de distribuição com barramentos para ligar os cabos de alimentação dos equipamentos, um disjuntor térmico para proteção, uma chave geral, além de um conector tipo isqueiro de carro, e de tomadas para 6 e 9 volts/1 ampére, para ligação de outros equipamentos nesta voltagem.


   Mas se você não quer tudo isso, e se interessa apenas em substituir a sua fonte insegura por uma bateria, utilize o circuito abaixo:

   
   Com este circuito você pode operar seu equipamento ao mesmo tempo que a bateria é carregada, com toda segurança.

   Espero ter ajudado aos colegas radioamadores de todo o mundo, a ter uma estação mais segura para o operador e os equipamentos.

                              Bibliografia: The ARRL Antenna Book – ARRL
                                                 Handbook do Radioamador – Iwan T. Halasz

Antena, Essa Incompreendida

   Embora todos os radioamadores estejam familiarizados com o conceito de antena, poucos sabem como defini-lo. Então vamos lá, a antena é um transformador de impedância que acopla a saída do transmissor ao espaço livre (ou éter como se dizia antigamente).
   Agora vocês vão perguntar, qual a impedância do espaço livre? Um dos métodos para calcular é dividir a intensidade de campo (em tensão) pela densidade de corrente, o que dá um valor teórico de 377 ohms.
   Quando a antena não tiver sido dimensionada para igualar a impedância exata de saída do transmissor ou da entrada do receptor, ela pode ser completada por um transformador de impedância adicional, conhecido como “acoplador ou transmatch”, que funciona de maneira análoga como os óculos funcionam para o olho humano.
   As antenas constituem um ponto chave em todas as formas de transmissão e recepção. O dipolo simples e o dipolo dobrado, são os verdadeiros “burros-de-carga”, sendo usados em todas as formas de comunicação por rádio. O dipolo de ½ onda é o elemento fundamental de um sistema de antena. Esta antena simples quando empilhada, proporciona um bom desempenho.
   Eletricamente, a antena dipolo é equivalente a uma linha de transmissão de ¼ de comprimento de onda, em circuito aberto, alimentada por um gerador para o qual ela equivale a um circuito ressonante.
   A resposta de freqüência de uma antena dipolo é similar à do tipo comum de circuito ressonante com capacitância e indutância concentradas. Já a largura de faixa depende do tipo de construção, por exemplo, se o dipolo é feito com fio de cobre fino, ele se comporta como circuito sintonizado de alto Q, ou seja, tal antena só funcionaria bem em uma faixa estreita de freqüências.

   Na evolução histórica das antenas, as primeiras eram simplesmente fios verticais, sustentados as vezes até por papagaios (ou pipas como queiram). Nas instalações fixas, aumentavam a altura efetiva das antenas, fazendo-as em forma triangular com largura maior em cima, o que hoje chamamos de carga capacitiva de topo. Também funcionavam da mesma forma as antenas instaladas em navios, sustentadas por fios esticados entre os mastros. O que provavelmente não era sabido naquela época, é que todo monopolo vertical de ¼ de onda necessita de um plano de terra, por isso as transmissões feitas do continente não igualavam o alcance das transmissões feitas em navios.
   Os navios de aço em contato com a água salgada, constituíam o melhor plano de terra possível.
   O motivo pelo qual estamos falando tanto sobre a história das antenas, é que entre todos os equipamentos usados por radioamadores, PX e radioescutas, a antena é sem dúvida o mais comentado. Também é sobre antenas que circulam mais mentiras, provavelmente pela pouca difusão de informações e de literatura em português sobre o assunto.
   Uma das maiores mentiras que são difundidas em todas as faixas, é que o parâmetro mais importante de uma antena deve ser ter uma ROE de 1:1.
   Como as antenas eram sintonizadas antes da popularização dos medidores de ROE? Simples, os radioamadores ligavam ao transmissor uma carga não-irradiante (antena fantasma) de 50 ohms, ajustavam a sintonia e o acoplador de carga para o melhor ponto, anotavam as posições dos botões, substituíam a carga não-irradiante pelas antenas, e ajustavam as antenas para que o transmissor desse o melhor rendimento nas mesmas posições de sintonia encontrados com a carga fantasma. Não havia números absolutos envolvidos, nem falácias sobre as ondas estacionárias.
   Se uma ROE de 1:1 fosse sinônimo de antena perfeita, uma antena fantasma seria a antena ideal, uma vez que apresenta uma ROE de 1:1 em todas as faixas, desde os 33 cm até os 160 metros, mas apesar disso, seu desempenho é péssimo, uma vez que ela não irradia nem capta ondas eletromagnéticas.
   Existem muitas antenas (amplamente usadas na Europa e estados Unidos) em que a ROE fica entre 1,5:1 e 2,5:1, e nem por isso seu desempenho é ruim ou prejudicial ao equipamento.
   Por mais difícil que possa ser para vocês acreditarem, uma das maiores lorotas que eu ouvi, aconteceu na década de 1980, na faixa dos 11 metros(PX). Um cidadão anunciava um produto revolucionário chamado “PROPAGOL”, que deveria ser passado na antena, e que teria a propriedade de “melhorar a propagação” da antena em que fosse aplicado. Acreditem se quiserem.


   Terminados os aspectos em relação a ROE, e antes de entrar no mérito das antenas propriamente ditas, vamos falar sobre linhas de transmissão e sua ligação ao sistema irradiante.
   Essencialmente, uma linha de transmissão é um par de fios com a finalidade de transferir a energia de um ponto a outro. A finalidade dessa linha de transmissão é recolher a energia fornecida pelo transmissor, e com ela, alimentar a antena.
   Qualquer linha de transmissão irradia uma certa parte da energia que ela transporta, as linhas blindadas menos do que as não-blindadas. Quando a linha de transmissão é normalmente usada como tal, seus terminais de saída devem ser ligados a uma carga de valor apropriado, o que reduz ao mínimo a formação de onda estacionária. O valor adequado da carga depende de uma propriedade da linha, conhecida como impedância característica.
   Muitos tipos de antena, como as dipolo e yagi, são balanceadas. Quando ligamos uma antena balanceada a um cabo coaxial, o condutor externo do coaxial (malha) começa a apresentar tensão de radiofreqüência e a irradiar como se fosse parte da antena. Na maioria dos casos, essa irradiação não tem maiores conseqüências e o sistema pode ser deixado como está. Porém, quando o cabo coaxial que irradia ele próprio, passa nas proximidades de outros cabos de rádio ou TV, pode aumentar o risco de interceptação dos sinais irradiados. Nesse caso, deve-se eliminar a irradiação pelo condutor externo.
   A solução convencional para o acoplamento de um sistema balanceado a um desbalanceado é o uso de um balun.
   Outra solução considerada quebra-galho contra a irradiação pelo condutor externo, é formar com o próprio cabo coaxial, um indutor de 6 espiras (com diâmetro de 30 cms, preso com fita isolante) junto a sua ligação à antena, que poderá apresentar um obstáculo para a radiofreqüência.

   A pergunta mais freqüente em relação a antenas, principalmente por parte de radioamadores principiantes, é: Qual a melhor antena?  Posso responder esta pergunta com outra: Qual o melhor automóvel? Tudo depende da finalidade para a qual será usado. Com antenas acontece o mesmo. A melhor antena é aquela que coloca o sinal necessário no local de recepção, com menor desperdício em outras direções, com a menor potenor espaço ocupado, menor resistência ao vento, menor peso e menor custo.
   Além do tipo e dimensionamento, também sua localização é importante, uma vez que outra propriedade importante é a diretividade.
   Diretividade é a propriedade de uma antena de captar ou irradiar melhor os sinais em uma direção do que em outra. A diretividade também é uma medida da sua capacidade de selecionar sinais provenientes de transmissões que não estejam localizadas na mesma direção angular. Por exemplo, o dipolo simples horizontal é bidirecional e transmite/recebe melhor os sinais que vêm por trás ou pela frente, em ângulo reto com a antena. Isso pode ser conferido, visualizando o diagrama direcional (ou gráfico polar) do dipolo de meia onda, considerando como padrão, ou referência, para as demais antenas, e que tem seu diagrama de irradiação em forma de oito.
   O ganho de uma antena é um dado comparativo. Determina-se o ganho de uma antena medindo-se a potência que é induzida nela por um sinal constante e dividindo-se essa potência pela que seria induzida em um dipolo de meia onda, em idênticas condições. Um ganho de 10 significa que a antena em questão é 10 vezes mais eficiente do que o dipolo padrão.
   A antena não produz energia de radiofreqüência, mas seu ganho provém, unicamente, do poder de concentração do feixe eletromagnético de transmissão (também na recepção) sobre determinadas áreas, delimitadas verticalmente (nas antenas onidirecionais) ou vertical e horizontalmente (nas direcionais).
   Todo tipo de antena, portanto, tem algum ganho em alguma direção, proveniente do fato de que as antenas não irradiam uniformemente em todas as direções. A título de exemplo mostrarei  abaixo, alguns tipos de antenas e seus respectivos ganhos máximos teóricos.

Dipolo de meia onda _______________________________________2,14 dBi
Dipolo dobrado com refletor _________________________________7,14 dBi
Yagi de 3 elementos _______________________________________10,64 dBi
Yagi de 4 elementos _______________________________________12,14 dBi
Cúbica de quadro de 2 elementos _____________________________9,44 dBi
Cúbica de quadro de 3 elementos _____________________________11,44 dBi
Vertical de ¼ de onda ______________________________________0,64 dBi

   Entre os aspectos físicos importantes, podemos ressaltar: a rigidez mecânica que evita a deformação, mesmo com vento intenso, ou com um veículo em velocidade, prevenção de quebra por fadiga (ruptura por movimentos repetidos); proteção contra corrosão; proteção dos isolamentos contra fugas oriundas de degradação de materiais ou depósito de poluição atmosférica.
   Entre os aspectos de localização, devemos mencionar a altura sobre o nível médio do terreno adjacente, liberdade de irradiação, ou seja, ausência de obstáculos volumosos no sentido da transmissão, acima de um ângulo de 10 graus sobre o plano horizontal e até uma distância de algumas centenas de comprimentos de onda, a fim de permitir que as ondas contornem os obstáculos.
      Utilizamos no radioamadorismo monopolos, dipolos, yagis, log-periodicas, delta-loops, quadra-cúbicas, quadras-suiças, discones, bazoocas, helicoidais, colineares, rômbonicas, long wires, Windows, slopers, sendo que muitas destas podem ser monobandas multibandas ou faixa larga.
O número de tipos de antenas é muito grande. Por este motivo, darei exemplo e mostrarei o projeto de construção apenas de antenas que sejam de fácil construção, baixo custo, e que não tenham necessidade de nenhum ajuste, uma vez que é muito chato ficar descendo e subindo antena para fazer ajustes.



Bibliografia: Handbook do Radioamador – Iwan Thomas Halasz
                      ABC das Antenas – Allan Lytel
                      The ARRL Antenna Book – ARRL

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

30º Encontro de Radioamadores de Campos

Um rádio Nacional, legítimo do Brasil!

   Acredito que todos tem saudade daquele Motoradio 23 canais chucrutado para 39, entre outros modelos da marca que deixam saudade. Mas a questão agora é outra, é a possibilidade da Motoradio, hoje Motobras, voltar a fabricar um rádio, digamos, sob medida.
E o que sería sob medida?
   Um rádio compacto, pouco maior que o Cobra 19DX, com funções de AM (Amplitude Modulada), USB (Banda lateral superior), LSB (Banda lateral inferior), potência de 7 watts reais AM, 21 watts reais SSB (30 PeP), e que cobrisse toda a faixa homologada, ou seja, do canal 1 (26.965) ao canal 80 (27.805), simples assim!
   O transistor de saída poderia ser o mais usado hoje, com custo baixo e alto  rendimento, IRF520.
   E como seria o chaveamento do painel?
   Simples, bastaria a chave de funções AM/USB/LSB, potenciômetro duplo (ou não) para controle de Volume e Squelsh, outro potenciômetro duplo (ou não) para controle de Ganho de Microfone e Radiofrequência, e uma chave de toque para leitura de estacionária automática. Sem esquecer de um potenciômetro de sintonia TX/RX para AM e SSB.
   Claro, e os 80 canais, como seriam divididos?
   Simples, bastaria uma chave up/down para os dois bancos de 40 canais.
   Para finalizar, um S-meter analógico comum, e claro, o rádio preto, preto fosco, como era o saudoso Motoradio.
   Parece utopia, mas pode ser realidade, eu compraria 3 exemplares, um para cada veículo de minha casa e um para a estação base. Ter um rádio legitimamente brasileiro, homologado, funcionando com estabilidade, isso não tem preço, ou seja, tem sim. É possivel fazer um rádio de qualidade para competir com o Cobra 148 GTL, que diga-se de passagem, hoje é um dos piores rádios no mercado e o pessoal compra. Paradoxo!
   Gostaria do seu depoimento a respeito deste tema, você é a favor da volta do Motoradio, hoje Motobras, e compraria um rádio nacional homologado, aos moldes da legislação?
   Caro leitor, é muito importante saber o que você pensa a respeito, então diga-nos...
Seja quem for que você conheça, e que se interesse em ver um equipamento nacional sendo comercializado para a faixa dos 11 metros, solicite que poste algo a favor no Blog. www.pxjf.blogspot.com
A Motobras já sabe da movimentação, já conversei com eles e me disseram que se tiver muitas manifestações, eles voltam ao segmento, mas é necessário bem mais que duas mil postagens no site.
Então...

André Luiz C. Possato
PX4G1578 - PY4WB
     Juiz de Fora MG
         Acesse:
    Sempre em QAP 
      canal 40 LSB

Por favor, responda a este e-mail no link abaixo: http://pxjf.blogspot.com/2011/09/um-radio-nacional-legitimo-do-brasil.html

Grupo Independente de Rádio Operadores de Juiz de Fora

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Segurança na Estação de Radioamador

Abordaremos alguns ascpectos sobre a prevenção contra choques elétricos e sobre operação segura em estações de radioamadores.
 
Como radioamadores licenciados, todos possuímos, em nossas estações, um ou mais equipamentos energizados através da rede elétrica de 110 ou 220 volts. Até os equipamentos transistorizados, muitas vezes, operam a partir de fontes de alimentação, conversoras ou carregadores de bateria conectados à rede domiciliar de corrente alternada.
 
Quando bem utilizados, estes equipamentos oferecem considerável  segurança quanto ao perigo de choques elétricos acidentais, por exemplo. Nunca é demais, contudo, relembrar alguns pontos básicos que convém termos sempre em mente, para a perfeita manutenção da segurança em nossa estação.
 
Em primeiro lugar, evite operar equipamentos com gabinete aberto, sem tampas de proteção. Este aspecto é importante não apenas para a proteção contra choques elétricos, causados pelo contato acidental com algum componente com potencial de tensão elevado, mas também para o perfeito funcionamento do aparelho. Transmissores sem blindagens adequadas, por exemplo, além de oferecerem riscos à vida dos operadores, pelas altas tensões presentes em seus circuítos, freqüentemente também irradiam sinais indesejáveis, capazes de provocar interferências em televisores, etc.
 
Assim, cuide para que o gabinete do seu transceptor esteja sempre bem fechado, com boas conexões elétricas nas suas junções. Não é incomum que - principalmente com alguns equipamentos novos - às vezes seja preciso lixar levemente alguns pontos, sob a parte inferior da tampa, junto aos parafusos de fixação, para remover um pouco da pintura e garantir um bom contato elétrico. Utilizar pequenas arruelas de pressão, denteadas, nos parafusos de fixação, pode ser, igualmente, uma boa alternativa.
 
Estude a possibilidade de instalar um bom terminal de terra para conectar aos equipamentos de sua estação. Um terminal de terra eficiente, é importante ressaltar, embora seja de difícil construção, em termos de radiofreqüências, pode ser fundamental na proteção do operador contra choques elétricos. Em especial para radioamadores iniciantes na atividade, operando nas faixas baixas de HF, com pouca prática no manejo de equipamentos eletrônicos. Informações complementares sobre o tema podem ser obtidas em todas as edições do RADIO AMATEUR’S HANDBOOK, da ARRL, bem como no livro TVI, etc., de autoria do nosso amigo e colega Odi Melo.
 
Verifique, regularmente, o estado dos plugues e cabos de ligação dos equipamentos existentes na estação. Não permita que pontas desencapadas ou fios com isolamento deficiente, ligados à rede de corrente alternada, fiquem expostos. Revise também o estado das tomadas elétricas da parede, bem como o estado da própria fiação. Não é preciso lembrar que equipamentos de radioamadores podem solicitar correntes bastante respeitáveis da rede elétrica. Para evitar riscos de aquecimento da fiação elétrica, perigo de curto-circuíto, etc., é necessário que os condutores da rede de energia que abastece toda a estação sejam de bitola adequada (2 milímetros de diâmetro ou mais), bem como que estejam corretamente instalados no interior de conduites, etc.
 
Uma outra recomendação importante: para a máxima segurança na estação, o ideal é que o radioamador, ao ausentar-se da estação, possa desligar todos os equipamentos submetidos à tensão. Assim, procure colocar um interruptor geral no recinto da estação, em especial quando existirem crianças na família. Desta forma, não só o operador estará protegido contra choques acidentais, quando não estiver utilizando os equipamentos da estação, mas também os eventuais freqüentadores do “shack”.
 
Ao instalar um interruptor geral para a sua estação, prefira os que possuam fusíveis internos e que sejam do tipo duplo, isto é, que desliguem tanto o “vivo”, como o “neutro” da rede elétrica. Isso evitará que descargas elétricas oriundas de raios que atinjam, eventualmente, a rede, durante tempestades, possam danificar os seus equipamentos.
 
Depois, habitue-se, ao ausentar-se da estação, a desligar sempre o interruptor geral do “shack”. Uma boa alternativa para que você possa lembrar-se de desligar o interruptor geral é instalar junto ao mesmo, uma lâmpada piloto neón. Quando acesa, funcionará como aviso de que os equipamentos estão energizados e que portanto, o interruptor geral precisa ser desligado quando você encerrar os trabalhos na estação. Instale o interruptor geral com a lâmpada piloto de advertência em local bem visível, de preferência próximo à porta de acesso à estação. Instrua também os demais membros da família sobre o funcionamento do interruptor, esclarecendo como desligar a rede elétrica da sua estação.

Essa providência poderá ser útil em casos de acidente, principalmente quando você estiver, na oportunidade, afastado de casa.
 
Como vimos, o funcionamento da sua estação de radioamador não deve oferecer qualquer risco a você e à sua família ou ao seu patrimônio. Em eletricidade, nunca é demais repetir, o melhor é prevenir que remediar.
 
Assim, seja zelozo na instalação e na mautenção dos equipamentos da sua estação. Faça com que todos os seus aparelhos estejam no interior de gabinetes de metal, e que estejam conectados a um bom terra. No caso de algum curto-circuito ou de uma pane em um componente qualquer, o máximo que pode acontecer, quando os equipamentos da sua estação estiverem corretamente aterrados, será o rompimento de algum fusível de proteção. E não um choque elétrico potencialmente fatal, causado pelo contato do operador com o gabinete metálico.
 
Vamos ver agora algumas dicas que podem ser úteis para tornar os seus equipamentos mais seguros, em especial para os que apreciam a experimentação e as montagens caseiras.
 
Reserve o máximo de cuidado possível no projeto e na construção das fontes de alimentação de seus aparelhos eletrônicos. Fios, cabos e conexões devem ficar perfeitos, com boas ligações elétricas e boa isolação dos demais pontos do circuito.
 
Escolha capacitores de boa qualidade para a instalação, quando o projeto assim o exigir, entre os lides do primário do transformador de alimentação e a massa. Use capacitores com, no mínimo, 1.600 volts de isolação.
 
Na saída de fontes de tensões elevadas, procure instalar resistores de drenagem, com bastante folga em sua dissipação, após os capacitores eletrolíticos. Os resistores de drenagem servem para evitar choques, que podem ser fatais, causados pelo contato acidental com os terminais dos capacitores eletrolíticos, capazes de armazenar cargas perigosas mesmo muito tempo depois que o equipamento foi desligado da rede.
 
A propósito ainda de fontes de alimentação, lembre-se que no projeto de circuitos dobradores ou multiplicadores de tensão, alguns capacitores eletrolíticos estarão com a sua carcaça “viva” ou seja, com potencial fornecido pela fonte, oferecendo risco de choques elétricos. Neste caso, além de isolar estes componentes do chassís, é importante envolvê-los em algum invólucro isolante, caso já não possuam. Isso evitará o contato acidental do operador com a carcaça metálica do componente, ao manusear o equipamento.
 
Nas fontes de alimentação de alta tensão, o recomendável é utilizar interruptores de segurança do tipo “NF”, normalmente fechado, acoplados às tampas de acesso ao gabinete. Os interruptores devem estar conectados de tal forma que, sempre que for preciso abrir a tampa do aparelho, o fornecimento de energia ao circuito seja automaticamente cortado. Este recurso também deve ser utilizado nos estágios de saída de transmissores valvulados, amplificadores lineares, etc., onde existem, normalmente, tensões e correntes bastante elevadas.
 
Ao fazer qualquer reparação nos equipamentos de sua estação, desligue-os, antes, da rede elétrica.
 
De uma forma geral, todos supomos que as tensões elétricas muito elevadas é que são as mais perigosas. Tal noção, contudo, não é correta. Na verdade, conforme comprovam as estatísticas, muito mais gente morre, todos os anos, por choques elétricos de baixa tensão, como os da rede doméstica de corrente alternada, do que com altas tensões. Há episódios fatais de choques acontecidos até com as tensões existentes na rede telefônica, com as vítimas tomando banho de imersão, por exemplo. A literatura médica também registra casos fatais com choques fracos de corrente alternada de apenas 25 volts.
 
A eletricidade pode lesar o corpo humano de várias maneiras. Pode agir sobre o SNC, Sistema Nervoso Central da vítima, ou sobre o coração, produzindo perda reversível da consciência ou a morte. O calor produzido pela ação da passagem da corrente elétrica pode também coagular os tecidos e produzir necrose. Por último, a tetania, ou seja, os espamos musculares violentos provocados pelo choque podem causar lesão dos ossos ou dos tecidos moles.
 
Cumpre destacar que a corrente é ainda mais importante que a tensão na severidade do choque. A intensidade da corrente elétrica depende da tensão e da resistência dos tecidos, principalmente da pele. A resistência da pele diminui com a presença de umidade. O suor, por exemplo, reduz drasticamente a resistência da pele: quando está seca, fica entre 100 e 600 mil ohms; quando molhada, pode cair a 1.000 ohms ou menos. A resistência interna do corpo humano é muito menor. É por esta razão que a corrente se torna muito mais perigosa se entrar no corpo através de um corte ou outro tipo de ferimento na pele, como uma queimadura, o que pode acontecer quando o contato com a fonte de eletrocussão é prolongado.
 
Corrente da ordem de 200 microampéres e menores passam pelo corpo sem efeito algum. Correntes da ordem de um miliampére produzem contrações musculares. Podem ser tão intensas que impedem a vítima de livrar-se do circuito. Em geral, os homens podem libertar-se de correntes de 9 miliampéres ou menos, enquanto que o valor máximo para as mulheres é de 6 miliampéres. Correntes de 15 a 20 miliampéres também provocam dor e paralisia, impedindo que a vítima possa se libertar sem auxílio.
 
Uma corrente elétrica de 100 miliampéres, fluindo das mãos para os pés, por exemplo, pode produzir fibrilação ventricular, isto é, o funcionamento errático do coração ou até a sua parada. Já as correntes entre 300 e 200 miliampéres são duplamente perigosas, porque tendem a provocar fibrilação ventricular e paralisia respiratória.
 
O que fazer para socorrer uma vítima de choque elétrico? Em primeiro lugar, livrar imediatamente a vítima da corrente elétrica da fonte de eletrocussão. Cuidado para, ao tentar salvar a vítima, você também não seja atingido pela corrente elétrica. Após a liberação da vítima, iniciar a respiração artificial, se cessou a respiração espontânea, bem como a massagem cardíaca. Tanto a respiração artificial como a circulação artificial devem ser mantidas até a chegada de socorro médico, ou até que se tenham restaurado, satisfatoriamente, as respectivas funções. Estas medidas são muito importantes para a ressuscitação de vítimas de choques elétricos. Estudos médicos evidenciaram que, nas pessoas em que se aplicou a respiração artificial num período de três minutos ou menos após o choque, a taxa de sobrevivência foi de 73%.
 
Como vimos, não se iluda com a idéia de que apenas as altas tensões são perigosas. Tudo depende da intensidade da corrente. Podemos conhecer a intensidade da corrente aplicando a fórmula derivada da Lei de Ohm: a intensidade da corrente é igual a tensão dividida pela resistência.
 
Vejamos um caso prático. Qual a intensidade de uma corrente de 110 volts, percorrendo uma pele cuja resistência seja de 500 ohms, por exemplo? Aplicando a fórmula, veremos que a intensidade da corrente será de 220 miliampéres. E, como comentamos anteriormente, uma corrente desta ordem é potencialmente fatal, pois pode produzir fibrilação ventricular, parada respiratória e espasmos musculares generalizados, que impediriam a vítima, mesmo que se mantivesse consciente, de libertar-se sozinha da fonte do choque elétrico.
 
Até tensões tão baixas como 12 volts podem ser perigosas, teoricamente, se a resistência da pele for igualmente baixa. Uma tensão de 12 volts percorrendo uma pele com uma resistência de 100 ohms, por exemplo, terá uma intensidade de corrente de 120 miliampéres. Uma resistência de 100 ohms pode ser encontrada entre uma orelha e a outra, em alguns indivíduos, ou então, em áreas de pele não protegidas, como em cortes ou ferimentos.
 
Moral da história: em eletricidade, nunca é demais repetir, mais vale prevenir que remediar. Seja rigoroso na manutenção da segurança em sua estação, ou em sua bancada de eletrônica. Não permita que a eletricidade possa representar um risco à sua vida.
 
Uma observação final: não esqueça também da segurança do seu sistema irradiante. Não levante torres ou mastros metálicos próximos à rede elétrica. Não instale a sua antena em pontos tais que, no caso de queda por vendavais, possa interceptar, na sua trajetória, qualquer fiação de energia elétrica. Estaie convenientemente todas as estruturas metálicas utilizadas para a sustentação das antenas da sua estação. Ao levantar mastros, torres, postes, etc., solicite, antes, o auxílio da concessionária local de energia elétrica. Caso necessário, o pessoal da empresa interromperá o fornecimento de eletricidade nas cercanias de sua estação, caso seja constatado qualquer risco de contato acidental com a rede.
   
Fontes consultadas:
 
- The Radio Amateur’s Handbook, da ARRL
- Tratado de Medicina, de Baeson e McDermot
- Revista Eletrônica Popular, março/abril de 1970
- TVI, etc. - Um Estudo para Radioperadores, de Odi Melo, Antenna Edições     Técnicas, 1986
 
Colaboração: Ivan Dorneles Rodrigues - PY3IDR 
email:  ivanr@cpovo.net  

sábado, 18 de dezembro de 2010

Rádio Virtual ?

O EchoLink é um daqueles temas que é certo para começar um argumento sempre que alguém leva-lo até em uma reunião de rádioamadores. Eu comecei uma  recentemente, quando propus que permitissem contatos EchoLink para o nosso clube. Alguns caras diseram que os contatos mantidos com o programa não devem ser permitidos em concursos, porque ele permite o uso do computador para comunicação, e, desse modo, contatos EchoLink não são "rádio" contatos. Enquanto que eu vejo que eles deveriam ser permitidos porque este é apenas um divertimento.

Agora, esses caras têm ainda mais para reclamar: QsoNet CQ100 e o HamSphere. Ambos os serviços pretendem simular a experiência de rádio amador, com um programa de computador.
O QsoNet CQ100 , que se apresenta como "ionosfera virtual para rádio amador," tem sido em torno de pelo menos um ano. Para entrar no QsoNet, você baixar um software que simula um transceptor de HF. (O software só funciona em computadores que executam sistemas operacionais Windows.)
Uma vez que você iniciar o programa, você seleciona o modo que você deseja operar (incluindo CW!) E a "frequência" na qual você deseja operar. Então, você entra na rede QsoNet. A empresa alega que, "ele funciona com conexão discada, DSL e conexões de Internet por cabo. Não há necessidade de configurar as portas do roteador. A rede consiste em um conjunto de servidores de internet que oferecem streaming de áudio VoIP entre as estações. Depois de instalar o software de transceptor, estações QsoNet são conectados a um servidor central por uma única conexão TCP de saída. 
Para usar QsoNet, você deve ser um radioamador licenciado, apesar de, como dizem em seu site, "Não há RF. Tudo é feito através da internet." Custa também usar QsoNet. Após um período experimental de 90 dias grátis, você deve pagar uma taxa de assinatura $ 32.
Um novo serviço que eu tenho ouvido é sobre HamSphere . Criado por Kelly Lindman, o fundador da DXTuners , este serviço parece ser um pouco mais sofisticado do que QsoNet CQ100.
Por exemplo, no HamSphere você observa fading, QRM, QRN, efeitos fase multipath, etc, são todos os fatores e as regras nesta simulação. O sistema segue as leis da ionosfera de deflexão de ondas de rádio. "Você também pode escolher diferentes níveis de potência e os tipos de antena. A interface do usuário não é tão simples quanto a interface QsoNet CQ100, mas talvez isso seja uma coisa boa.


Uma grande diferença entre HamSphere e QsoNet CQ100 é que qualquer pessoa pode usar HamSphere, licenciado ou não. Outra diferença é que o software pode rodar em Macs e Linux, bem como computadores com Windows.
Como o EchoLink, penso que estes serviços virtuais de rádioamador pode ser atraente para os que vivem em locais com espaço restrito para se instalar uma antena ou outros que por qualquer razão não são capazes de criarem a sua própria estação. MAS, certamente não são um substituto para a coisa real. Eu simplesmente não consigo ver como fazer contatos com QsoNet ou HamSphere seria tão gratificante como decisão sobre contactos-the-air.


Para mim, o Virtual Ham Radio é o movimento de recrutamento para o nosso hobby, por que digo isso?
  • Virtual Ham Radio é uma ferramenta de grande formação.
  •  Acessibilidade a partir de um laptop conectado a Wi-Fi em um aeroporto de um de computador pessoal em casa.
  • Custos inicial é cerca de US $ 0 em termos de equipamento.
  • Nenhum sistema de antena.
  • em problemas de RFI.
  • Nenhuma licença.
Eu sou um link para introduzir alguém para a diversão e excitação de Radioamadorismo. A nova geração de radioamadores estão mergulhadas na utilização da Internet e o que é importante é a acessibilidade. Se alguém estiver visitando minha estação, eles não podem levar o posto com eles, após uma visita. Mas com o virtual Ham Radio, pode-se enviar e-mail, o link, baixar o software, e desfrutar do Ham Radio sem nunca abrir um manual de licença.

Imagine isso. É o poder da Internet para trazer mudanças ao mesmo tempo ignorando a regulação tradicional, regras e convenções. Logo, fóruns de operadores não-licenciados de virtuais Ham Radio, ganham vida com toda a pompa ou seja, prêmios, concursos, cartões QSL, livros de registo, etc

Apenas suponha comigo por um minuto. O que aconteceria se a American Radio Relay League oferecesse virtual Ham Radio a um indivíduo não-licenciadas em seu site?

A grande experiência de deixar ir o código Morse como uma exigência de licenciamento, goste ou não, move o Ham Radio em uma nova direção. Alguns mas não todos são inspirados em aprender a arte, mas, virtual Ham Radio sem licença representa uma nova direção também.

Virtual Ham Radio contorna a tradição de tradições, testes e certificado. Será que um indivíduo, uma vez exposto à diversão e excitação do virtual Ham Radio, querer buscar uma licença?  Talvez. Talvez não. Talvez isso dependa da embalagem e comercialização.

HamSphere e QsoNet CQ100 são inovadores e acessíveis para licenciados e não licenciados. Ambos têm um maior apelo do que o grande experimento de código Morse. Além disso, Ham Radio virtual tem um potencial positivo enorme para o passatempo, dependendo da sua aceitação dentro de uma comunidade maior.

Algo está acontecendo tranquilamente e o Ham Radio Virtual veio pra ficar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Hamsphere - O Rádio Virtual



Este é um transceptor de rádio Ham virtual que funciona em Windows, Linux e Mac ou qualquer outro sistema. O HamSphere pode ser usado tanto por entusiastas de rádio licenciados (Ham Radio) e não licenciados.
Você é capaz de se comunicar com milhares de operadores de rádio amador e entusiastas de rádio de quase 200 países ao redor do mundo. Nenhum hardware extra é necessário, apenas o seu PC, um microfone, alto-falantes e você está pronto para chamar CQ sobre as bandas HamSphere. 
O sistema não emite qualquer RF por isso é 100% seguro para operar em qualquer país. Você também pode usar a faixa de 48m de broadcast para criar a sua própria estação de rádio de ondas curtas.

Leia sobre Vic VE3JAR no Canadá, que fez 5.500 contatos de 200 países com o HamSphere

Características do transceptor:
  • Modes: DSB (Double side band modulation) and CW (built in keyer) Modos de DSB (Double modulação de banda lateral) e CW (construído em keyer)
  • Filters: 700hz in CW, 2.4kHz and 3.8 kHz in DSB. Filtros: 700Hz em CW, 2,4 kHz e 3,8 kHz em ORL.
  • AGC: Fast and slow AGC: rápido e lento
  • 6, 10, 11, 15, 17, 20, 30, 40, 48, 80, 160m bands. 6, 10, 11, 15, 17, 20, 30, 40, 48, 80, 160m.
  • Band span: Usable bandwidth for each band is 96 kHz. Band span: largura de banda utilizável para cada faixa é de 96 kHz.
  • Power: Adjustable between 10 to 2.5 kW. Alimentação: Ajustável entre 10 e 2,5 kW.
  • Simulation on/off (Turn off shortwave reality mode and use as a 2m like transceiver) Simulação on / off (Desative o modo de realidade de ondas curtas e usar como um transceptor como 2m)
  • VFO and memory mode (9 memories) VFO e modo de memória (9 memórias)
  • DX Cluster DX Cluster


Criado por um emérito radioamador chamado  Kelly Lindman (5B4AIT),  o HamSphere, é um rádio virtual que permite a comunicação de fonia e cw simulando as faixas de onda do espectro de HF (bandas dos 6, 10, 11, 15, 17, 20, 30, 40, 80, 160 m e broadcasting) com direito a QRM, muita estática e tudo mais. Coisa de gênio e radioamador, é claro !!!

Não deu outra, veio aquela vontade louca de estar a frente de um rádio fazendo DX's, coisa de radioamador, que não tem explicação, pois se levarmos em conta que nos dias de hoje temos MSN, Skipe e outros com voz e imagem simultaneamente, realmente fica muito dificil explicar essa dedicação ao rádio e que no fundo, serviu de estimulo para não só querer voltar para o meio de onde nunca deveria ter saído, bem como para ter coragem de estar escrevendo algo a respeito.

Fantástico para quem nunca experimentou o mundo do radioamadorismo em HF e tem curiosidade, mas por diversas dificuldades (aquisição de equipamento, instalação de antenas, exames para obtenção do COER e etc...) acaba desistindo.

A oportunidade é esta, o software pode ser baixado em http://www.hamsphere.com/ onde o usuário poderá obter todas as informações necessárias para o cadastramento e assinatura se assim desejar. Inicialmente o programa funciona integralmente por um período de três dias, perdendo diversas funções após este prazo. Havendo interesse por parte do usuário, uma taxa anual de 21 euros será cobrada acrescida de alguns impostos.

Para quem já vive este mundo, é mais uma ferramenta de comunicação e oportunidade de fazer grandes contatos à distância, sem a dependência de equipamentos sofisticados.

Com esta ferramenta virtual que depende apenas de um micro-computador com poucos recursos de hardware, caixas acústicas e microfone e uma conexão com a internet, é possível manter contato com o mundo como os grandes radioamadores fazem.

Crie a sua conta HamSphere 
Clique no Link acima ou no Titulo e cadastre-se para experimentar.
Transforme seu PC em uma Ham Radio Station sem qualquer hardware adicional.
Comunique com Operadores de Radio e outros entusiastas de rádio em todo o mundo.
IMPORTANTE!
O HamSphere não é uma rádio real como muitos têm sugerido.
Tudo o que você vê e ouve é simulado em um computador de grande porte.
Quando você apertar o PTT, não é RF (Rádio Frequência) que é emitido em qualquer uma das 
bandas de ondas curtas.
Por isso, é completamente seguro para clicar a tecla PPF, mesmo se você não for um rádio 
amador licenciado ou seja um radio operador.
O projeto foi feito para simular uma banda de ondas curtas real com QRM / QRN, fading, etc.
Todas as bandas são construídas desta forma.
Se você quer uma banda sem ruído, sem batimentos, sinal total, nenhum ruído branco, etc você 
terá que usar outro produto como o CQ100!
Por favor, informe toda a sua experiência.É realmente importante ter todas as informações 
possiveis para que o Desenvolvedor possa obter um Software funcionando corretamente.
Qualquer informação faça contato pelo email: accounts@hamsphere.com   
 Kelly Lindman 
 SM7NHC 
 Fundador 
 www.hamSphere.com